Células endoteliais expostas ao veneno de L. intermedia são induzidas a apoptose pelo desalojamento celular (anoikis) sendo que a ação direta das toxinas é inibida pelo proteoglicano de heparam sulfato
Resumo
Loxoscelismo é o termo tipicamente utilizado para descrever o quadro clínico, lesões
e reações, desenvolvido após os acidentes envolvendo aranhas do gênero
Loxosceles. É considerado um sério problema de saúde pública, principalmente no
Sul e Sudeste do Brasil, sendo o Paraná o estado que mais notifica acidentes
provocados por aranhas do gênero. A análise histopatológica do desenvolvimento da
lesão dermonecrótica, induzida em animais expostos ao veneno, inclui inúmeras
alterações vasculares, tais como, a formação de blebs subendoteliais e a
degeneração da parede dos vasos sangüíneos, bem como a deposição de fibrina e
a formação de trombos. O estudo com células endoteliais em cultura tem
demonstrado que tais alterações resultam de uma atividade direta e primária do
veneno sobre as mesmas. O presente trabalho demonstra evidências adicionais do
mecanismo de ação das toxinas do veneno de L. intermedia sobre células
endoteliais. Identificou-se que a interação do veneno com a superfície celular é
mediada pela integrina a5ß1, bem como por carboidratos. Além disso, o veneno é
capaz de causar uma redução desses carboidratos da superfície da célula. A
possibilidade da internalização do veneno foi verificada, demonstrando-se que as
células endoteliais são capazes de endocitar toxinas do veneno, que tem como
destino intracelular os lisossomos. Além disso, esta dinâmica envolve um
mecanismo endocítico específico, a pinocitose de fase fluída, processo este não
observado em linhagens musculares e epiteliais de ovário, sugerindo que a
internalização do veneno pode ser específica para células endoteliais.
Adicionalmente, verificou-se os efeitos do veneno sobre as células endoteliais após
longos períodos de exposição. As análises morfológicas revelaram que a partir de 24
horas de exposição, as células apresentam sinais de morte celular. Ultra -
estruturalmente, essas alterações foram determinadas como características do
processo de apoptose. A indução desse mecanismo de morte foi confirmada pelo
aumento na expressão da proteína pró-apoptótica Bax nas células expostas ao
veneno. A avaliação da apoptose nas células tratadas com veneno por longos
períodos, demonstrou que o processo de morte celular, propriamente dito, é
desencadeado apenas nas células em suspensão. Quando as células em
suspensão foram expostas ou não ao veneno, ficou evidente que a morte celular é
desencadeada pelo desalojamento das células, mecanismo conhecido por anoikis. A
observação da ação do veneno em células normais e em deficientes na síntese de
proteoglicano de heparam sulfato apontam para o papel protetor desse composto
característico da superfície destas células, sugerindo que a sua presença impede
uma ação direta das toxinas do veneno sobre as mesmas. Loxoscelism is the term used to describe the lesions and clinical manifestations
caused by bites of Loxosceles spiders. This is considered a serious public health
problem, mainly in Brazil southern and southeastern, being Parana the State that
notifies the largest number of accidents caused by spiders of the genus. Histological
findings of dermonecrotic lesions in animals treated by venom have shown numerous
vascular alterations, like subendothelial blebs and the degeneration of blood vessel
walls, as well as fibrin and thrombus formation. Studies using culture endothelial cells
have been demonstrated that this morphological alterations result of a direct and
primary activity of venom on these cells. In this work we reported additional evidence
of the action mechanism of L. intermedia venom toxins upon endothelial cells. We
observed that the venom interaction with the cellular surface is mediated by integrin
á5â1 as well as by carbohydrates. Also, the venom is able to cause a reduction of
these cellular surface carbohydrates. The possible venom internalization was
verified, and was observed that the endothelial cells are able to endocyte the venom
toxins, that have the lysosomes as intracellular target. Besides, this dynamic involves
a specific endocytic mechanism, the phase fluid pinocytosis, process not observed
by muscular and ovary epithelial cells, suggesting that the venom internalization
should be specific to endothelial cells. Additionally, was observed the effects of
venom on endothelial cells after long periods of exposition. The morphological
analyses revealed that after 24 hours of exposure, the cells present signs of cellular
death. Ultrastructural findings showed that these alterations are characteristic of
apoptosis. The induction of this mechanism of death was confirmed by the increased
expression of pro-apoptotic protein Bax on cells exposed to the venom. The
assessment of apoptosis on cells treated with venom for long periods, demonstrated
that the process of cellular death itself is triggered only in suspension cells. When
cells in suspension were exposed or not to the venom, was evident that the cellular
death is triggered by the detachment of the cell, mechanism known as anoikis.
Exposure of normal and deficient cells on the synthesis of heparan sulfate
proteoglycan to the venom, point to the protective role of this compound, suggesting
that the presence of heparan sulfate prevent the direct action of the venom toxins
upon endothelial cells.
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