Avaliação dos efeitos da exposição crônica ao mercúrio em Hoplias malabaricus (Block, 1794) coletados na usina hidrelétrica de Samuel - Rondonia
Resumo
O mercúrio (Hg) tem como características a capacidade de se bioacumular e
biomagnificar ao longo da cadeia alimentar. Devido às propriedades tóxicas desse
metal e à intensa atividade garimpeira na região Amazônia, aumentou a preocupação
com os possíveis danos que o mercúrio empregado nessa atividade pode trazer ao
ambiente. Nesse estudo 27 espécimes de Hoplias malabaricus (Block, 1794), foram
coletados na Usina Hidrelétrica de Samuel (RO), situada no Rio Jamarí, uma área que
sofre influência do garimpo na região. Os peixes foram sacrificados, e amostras foram
coletadas para a análise química de Hg (fígado e músculo), avaliações bioquímicas (
Glutationa-S-transferase (GST), Catalase e Peroxidação Lipídica) e morfológicas em
brânquia e fígado (Microscopia de Luz, Microscopia Eletrônica de Varredura e
Transmissão). Dos valores médios de mercúrio encontrados no músculo dos peixes,
18,5% ultrapassaram a concentração máxima sugerida pela Organização Mundial de
Saúde (WHO) que é de 0,5 µg g-¹ de Hg para o consumo humano. Não houve
diferença estatística significativa entre a atividade das enzimas (GST e catalase) e os
níveis de peroxidação lipídica usados como biomarcadores bioquímicos no fígado de
H. malabaricus e as concentrações de mercúrio encontradas neste tecido. Nas
análises histopatológicas em fígado foram observadas alterações como: necroses,
infiltração leucocitária, grande número de melanomacrófagos e desorganização
tecidual. Nas brânquias houve a presença de regiões com intensa proliferação celular,
fusão lamelar, presença de aneurismas e parasitas. O estudo com os biomarcadores
na Usina Hidrelétrica de Samuel no Rio Jamarí foi pioneiro nessa localidade. Através
desse trabalho foi possível avaliar a aplicabilidade dos métodos desenvolvidos em
laboratório para o estudo dos efeitos do mercúrio em regiões impactadas pelo
garimpo, demonstrando que os biomarcadores morfológicos refletem melhor os danos
agudos e cumulativos em detrimento dos danos bioquímicos que podem ser
modulados pelas condições ambientais variáveis. Mercury is able to bioaccumulate in live of aquatic organisms and biomagnify along the
feed chain. Due to the toxic properties of this metal and its intensive and constant use
in goldmining in the Amazon region, more studies have been evidencing the potential
damages to nature ecosystem and to the environment. In the present study 27
specimens of the Hoplias malabaricus (Bloch, 1794), were collect in Samuel
Hidreletrical Usine (SHU) (RO), situated in Jamarí River, an impacted region by
goldmining activities. The individuals were sacrificed and samples of liver and muscle
were collect for chemical (total mercury), biochemical (GST, catalase and lipidic
peroxidation) and morphological analysis (light microscopy, scanning and transmission
electron microscopy). The medium values of mercury found in fishes muscle, 18.5%,
passed the maximal concentration established by World Healthy Organization (WHO)
(0,5 µg g-¹ of Hg) for human consume. There was no significant statistical difference
between the activity of the enzymes used as biochemical biomarchers (GSTs,
Catalase) and for the levels of lipidic peroxidation in Hoplias malabaricus livers from
SHU on Jamari River and the mercury concentration in the liver. This biochemical
study was the first one using this species at Amazon region. Liver histopatological
analysis showed damages as necrosis, inflammation, high incidence of
melanomacrophages and tissue disorganization. In gills were also observed lesions as
the presence cellular proliferation, lamellar junction, aneurisms and parasites
occurrence. The present study showed the applicability of methods developed in
laboratory under controlled conditions in field studies where the impact of pollutants is
evaluated. Also, according the present data was observed that the morphological
findings were more efficient to show the chronic effects of mercury in H. malabaricus
then the biochemical biomarkers, which tend to be modulated by the environmental
conditions.
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