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dc.contributor.advisorMasunari, Setuko, 1948-pt_BR
dc.contributor.otherOstrensky, Antônio, 1967-pt_BR
dc.contributor.otherUniversidade Federal do Paraná. Setor de Ciências Biológicas. Programa de Pós-Graduação em Zoologiapt_BR
dc.creatorSilva, Ubiratã de Assis Teixeira dapt_BR
dc.date.accessioned2023-01-18T18:30:21Z
dc.date.available2023-01-18T18:30:21Z
dc.date.issued2007pt_BR
dc.identifier.urihttps://hdl.handle.net/1884/10946
dc.descriptionOrientador : Setuko Masunaript_BR
dc.descriptionCo-orientador : Antonio Ostrenskypt_BR
dc.descriptionTese (doutorado) - Universidade Federal do Paraná, Setor de Ciências Biológicas, Programa de Pós-Graduação em Zoologia. Defesa: Curitiba, 2007pt_BR
dc.descriptionInclui bibliografiapt_BR
dc.descriptionArea de concentração: Zoologiapt_BR
dc.description.abstractResumo: O caranguejo-uçá, Ucides cordatus, é considerado um dos componentes biológicos mais importantes do ecossistema de manguezais, além de apresentar grande relevância econômica para as populações ribeirinhas. Atualmente, a espécie sofre com a intensa pressão de captura, com a destruição de seu habitat e com a ocorrência da Doença do Caranguejo Letárgico, que tem devastado populações do caranguejo-uçá ao longo da costa Nordeste brasileira. O repovoamento vem sendo estudado recentemente como alternativa de manejo pesqueiro para a espécie. Ciclos de produção de larvas da espécie são realizados anualmente desde 2003 como parte de um programa institucional de repovoamento de caranguejo-uçá, no litoral paranaense. O presente estudo parte do ponto em que atualmente se encontra o estado-da-arte desta tecnologia e procura avançar em duas direções: 1) desenvolver o processo de larvicultura e assim aumentar as sobrevivências atualmente obtidas nos cultivos; 2) melhorar a compreensão das relações bióticas que ocorrem após a liberação da larva e assim melhorar as chances de sucesso dos projetos de repovoamento. Um método de avaliação da higidez larval durante o cultivo, atualmente utilizado nas larviculturas em larga escala, que se baseia na observação de características apresentadas pelas larvas cultivadas, foi testado utilizando 4 diferentes protocolos alimentares. Das características observadas, a condição do hepatopâncreas, representada pela quantidade de lipídeos presentes neste órgão, foi a que mais diretamente se relacionou com o bem estar larval e com as taxas de sobrevivência parcial e final observadas. Foram testadas 4 espécies diferentes de microalgas, comumente utilizadas na larvicultura de decápodes: Chaetoceros muelleri, Tetraselmis gracilis, Nannochloropsis oculata e Thalassiosira weissflogii. Os tratamentos que utilizaram as duas primeiras propiciaram os melhores resultados, tanto em termos de sobrevivência, quanto de higidez larval. Foi realizado um experimento para compreender a movimentação vertical das larvas observadas no final dos cultivos e determinar se o contato das mesmas com o material orgânico em decomposição no fundo dos tanques poderia ser evitado com a utilização de tanques mais profundos. Os resultados demonstraram que o movimento é parte de um comportamento natural e ontogênico que envolve uma amplitude de mais de 3 metros e assim não poderia ser evitado com o uso de tanques e sistemas de cultivo utilizados rotineiramente em aqüicultura. Foi realizada uma série de experimentos visando uma melhor adequação do ambiente de cultivo ao comportamento de movimentação vertical observado no estágio de zoea VI. Os resultados demonstraram que o uso de tanques de fundo plano obteve melhores resultados com relação à velocidade na mudança dos estágios e à condição do hepatopâncreas. Verificou-se que o efeito deletério do contato da larva com o fundo é maior quando existe um grande acúmulo de material orgânico presente nos tanques. Das varias formas testadas para contornar o problema, a sifonagem proporcionou a maior taxa de metamorfose de zoea para megalopa. Por fim foi testada uma série de substratos durante o cultivo larval Os resultados indicam que a utilização de substratos não aumenta a taxa de sobrevivência durante o cultivo da fase de zoea e no tratamento com sedimento de manguezal, a mortalidade das larvas foi significativamente mais alta que os demais. O desenvolvimento larval de U. cordatus foi analisado através de cultivos individuais com o objetivo de correlacionar os eventos de mortalidade que costumam ocorrer no final dos cultivos e a ocorrência de distúrbios no processo de ecdise. Os resultados demonstraram que a ontogenia da espécie envolve mais freqüentemente 5 estágios larvais. O aparecimento do 6º estágio de zoea foi relacionado com a obtenção de taxas de sobrevivência mais baixas. A mortalidade da zoea VI está intimamente relacionada a dificuldades no momento da ecdise para o próximo estágio, comparáveis àquelas descritas na literatura para outras espécies de decápodes e que recebem a denominação de MDS, ou "Molt Death Syndrome". A quantidade e os momentos em que as zoeas de U. cordatus saem das regiões de manguezal em um rio afluente da baía de Guaratuba, foram estimados. No total, foram capturadas 112.428 zoeas e 389 megalopas identificadas como sendo de U. cordatus. No local estudado, as maiores quantidades de zoea foram capturadas no início dos movimentos de maré vazante, enquanto que as maiores quantidades de megalopa foram coletadas no final da maré enchente. Foram realizados arrastos em determinados pontos no interior da Baía de Paranaguá, que apresentam condições ambientais minimamente favoráveis ao desenvolvimento larval de U. cordatus. Os resultados revelaram que 4 % do zooplâncton eram compostos por zoeas de Brachyura e apenas 9 % destes foram identificados como zoeas de U. cordatus. Entre os estágios larvais de U. cordatus observados, 46% se encontravam no estágio de zoea I, 40% zoea II, 5,6 % zoea III, 4,2 % zoea IV, 2,8 % zoea V e 0,9% zoea VI. Para determinar a influencia de períodos de imersão na taxa de colonização e sobrevivência de megalopas de U. cordatus, uma série de experimentos foi realizada. Os resultados revelaram que o ressecamento, mais que a imersão excessiva, afeta negativamente a sobrevivência do caranguejo-uçá, nos seus primeiros momentos sobre o sedimento dos manguezais. A melhor composição granulométrica foi determinada através de um experimento que testou diferentes concentrações de areia e lodo no substrato oferecido para as larvas. Os resultados demonstraram que lodos muito finos, com grande concentração de água, característicos dos taludes, não são adequados para o primeiro assentamento da megalopa de U. cordatus, assim como terrenos mais arenosos, encontrados em regiões do supralitoral, também foram preteridos por larvas neste estágio. As taxas de sobrevivência de megalopas em condições controladas em laboratório foram estimadas. Os resultados indicaram uma taxa de sobrevivência de 69% com alimentação artificial e na ausência de competidores e predadores. Já as taxas de sobrevivência de megalopas em condições próximas às naturais, em que as larvas liberadas não receberam alimentação artificial e estiveram expostas as intempéries, indicam uma sobrevivência média de 19,33%, 3 meses após a liberação. Para estimar as taxas de sobrevivência das megalopas de U. cordatus na presença de competidores intra e interespecíficos, uma série de experimentos foi realizada no laboratório e em campo. Os resultados demonstram que o estágio de megalopa do U. cordatus é pouco competitivo entre si nesta fase da vida, desde que áreas de refúgio sejam abundantes. O experimento de competição interespecífica demonstrou que caranguejos chama-maré, do gênero Uca muito comuns em áreas de manguezal do Estado do Paraná, tem um efeito negativo na sobrevivência do U. cordatus. Em um futuro próximo, um segundo estágio de cultivo, que permita que se atinja o estágio juvenil antes da liberação definitiva deverá ser desenvolvido. No atual estado-da-arte da tecnologia de repovoamento de U. cordatus, a liberação de megalopa é tecnicamente justificável.pt_BR
dc.description.abstractAbstract: The mangrove crab, Ucides cordatus, is one of the most important biological components of mangrove ecosystems. This species represents an important fishery resource for traditional communities living in mangrove areas. Populations of this species are declining in several locations due to over fishing, habitat destruction and a newly described "Lethargic Crab Disease", with devastating effect over populations of the mangrove crab in Northeastern Brazil. The large scale larviculture of edible mangrove crab U. cordatus, followed by the release of the larvae directly into the environment has been carried out since in 2001. The technology currently employed, although capable of positively answering the stock restoration program demands, still in an experimental phase. The present study begins at present state-of-art of the technology and advances in two directions: 1) to develop the larviculture process, in order to increase the survival rates that are currently obtained 2) to improve the understanding of biotic relationship occurring after the release of the larvae, in order to improve the possibilities of success of the enterprise. A classical method of evaluation of larval health, based on observation of certain characteristics on the larvae during the culture was tested, using 4 different alimentary protocols. Of all observed characteristics, only the condition of hepatopâncreas could be directly related to the larval welfare and partial and final survival rates. Four different micro algae species, commonly used in larviculture of decapods, have been tested as base of a feeding schedule for larvae of U. cordatus. Of all tested species, Chaetoceros muelleri, Tetraselmis gracilis, Nannochloropsis oculata and Thalassiosira weissflogii, the treatments that used the first two obtained the best results, in terms of survival rates as well as larval health. A vertical movement behavior, observed near the end of culture, tended to happen in the same time with of the onset of a series of mortality events. To determine if the contact of the larvae with the bottom of tanks, due to this behavior, could be prevented with use of deeper tanks, an experiment was carried out. The results demonstrated that this movement was part of a natural and ontogenetic behavior involving amplitude of more than 3 meters. Thus, the contact between larvae and the tank bottom could not be prevented with the use of tanks or systems routinely used in aquaculture. A series of experiments aiming at developing a culture environment adapted to the vertical movement behavior was carried out. The results demonstrated that the use flat bottom tanks could achieve better results in terms of duration of larval stages and the condition of hepatopâncreas. The deleterious effect from the contact of the larva with the tank bottom and different ways to manage this problem was addressed by a series of experiments. Of all the tested forms, siphoning the organic material accumulated of in the tanks resulted in the highest rate of metamorphosis from zoea to megalopa. Finally different substrata were tested during the larval culture. The results indicate that the use of substrata do not significantly increase the rate of larval survival in larviculture of zoeal stages and in at least one of the treatments, the mangrove sediment, the mortality of the larvae were significantly higher than the remaining treatments. The larval development of U. cordatus was analyzed through an experiment of culturing in individual flasks. This method aimed to correlate the events of mortality to the occurrence of disturbances in the process of ecdysis. The results demonstrate that ontogeny of the species more frequently involves 5 larval stages. The appearance of 6º stage of zoea was correlated with inadequate environmental variables and to lower survival rates. These events are comparable to the phenomena observed in the larviculture of other species of decapods described in literature as MDS, or "Molt Death Syndrome". The amount of U. cordatus zoea leaving flooded mangrove areas in the direction of coastal regions and the quantity of megalopa returning to parental habitats were estimated. A total of 112,428 zoeae and 389 megalopae, positively identified as being U. cordatus, have been captured. The largest amounts of zoea were captured in the beginning of receding tide while for the megalopae, the largest numbers were collected at end of the flood tide. Plankton net samplings have been carried out at certain points in the interior of the Bay of Paranaguá. The results showed that 4 % of all the zooplankton collected was composed of zoea of Brachyuran crabs. Of those, only 9 % was positively identified as zoea of U. cordatus. Among the larval stages of U. cordatus, 46% were identified as zoea I, 40% zoea II, 5,6 % zoea III, 4,2 % zoea IV, 2,8 % zoea V and 0.9% zoea VI. The effect of different times of sediment immersion on the survival rate of megalopae was estimated. The results demonstrate that drying, more than excessive immersion periods had a negative effect on the survivorship of the young U. cordatus, especially in their first moments after the settlement. The best mud and sand composition of the sediment was determined through an experiment. The results, in terms of number of burrows excavated by megalopae, demonstrated that excessively fine silts in high water concentration, which characterizes substratum found in slopes, do not seem to be the best set for first settling for megalopa of U. cordatus. In the other hand, excessively sandy bottoms, found in higher supra-tidal regions, are also avoided by larvae in this stage. The settlement and early survival rates of megalopae of U. cordatus in optimal experimental conditions were estimated. The results indicated a 69% survival rate in conditions of predator and competitor exclusion. In the other hand, the survival rates of megalopae released directly in quasi-natural environments, where released larvae were exposed to natural weather and did not received ant type of artificial food, showed an average survival rate of 19.33%, 3 months after release. The effect of intra-specific competition was estimated through releases of different amounts of larvae of U. cordatus in plastic trays containing mangrove sediment. The results showed that stage of megalopa of U. cordatus is not as competitive among themselves in this phase of its life, provide that shelter areas are abundant. The combined effect of natural ambient conditions and inter-specific competition on the survival rates of megalopae was estimated. 20 boxes were installed on a relatively well preserved area. Half of the boxes received 50 juveniles of fiddler-crabs Uca spp. prior the release of the laboratory cultivated megalopae. The average survival rate, in the boxes without competitors was of 29,9 %, while in the boxes with their presence, the survival dropped to 4,6 %. The difference between the average of carapace width, for U. cordatus juveniles, between the controlled and treatment units were considered very significant. The results demonstrated that inter-specific competition represents an important impact in the survival of megalopae of U. cordatus cultivated in laboratory and released directly in the environment. Thus, in a near future, a second stage of cultivation, allowing the metamorphosis of the megalopae of U. cordatus to the juvenile stage, before its definitive release, should be developed. In the present state-of-art of the technology for stock restoration of species, the release of megalopae is still technically justifiable.pt_BR
dc.format.extent174f. : il., mapas, grafs., tabs.pt_BR
dc.format.mimetypeapplication/pdfpt_BR
dc.languagePortuguêspt_BR
dc.relationDisponível em formato digitalpt_BR
dc.subjectTesespt_BR
dc.subjectCaranguejospt_BR
dc.subjectZoologiapt_BR
dc.titleRecuperação populacional de caranguejo-uçá, Ucides cordatus (Linnaeus, 1763), através da liberação de formas imaturas em áreas antropicamente pressionadaspt_BR
dc.typeTesept_BR


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