Fundado em 1862/63 e em circulação até 1941 na cidade de Joinville, Santa Catarina, o Kolonie-Zeitung (Colonie-Zeitung und Anzeiger für Dona Francisca und Blumenau) foi um dos maiores jornais teuto-brasileiros entre os séculos XIX e XX, com uma circulação de cerca de 3.500 assinantes. Além disso, contava com suplementos e correspondente internacional direto de Hamburgo.

O jornal foi fundado pela comunidade germânica de Dona Francisca e Blumenau, regiões onde havia a demanda popular por um veículo informativo que conciliasse detalhes culturais, políticos e esportivos da região. Assim sendo, a comunidade em conjunto angariou fundos e, através da figura de Ottokar Dörffel, diretor da colônia e futuro editor do periódico, financiou a compra de equipamentos técnicos de imprensa diretos da Alemanha, através de um conhecido de Dörffel, de nome Niemeyer. Uma trágica sucessão de eventos fez com que o navio que trazia esses equipamentos afundasse na costa brasileira, no ano de 1858. Entretanto, Dörffel entra em contato com o Ministério da Agricultura do Brasil, conquistou o auxílio financeiro e logístico do Império de Dom Pedro II, de forma a obter recursos para a compra de novos equipamentos para impressão.

Kolonie-Zeitung foi o mais antigo jornal de matriz germânica brasileira que resistiu à Revolução de 1863 e à Primeira Guerra Mundial. Apesar disso, assim como demais periódicos teuto-germânicos da época, sofre entre 1917 e 1919 a censura do governo brasileiro. Durante estes anos, a editora de Boehm lança o periódico Actualidade, espécie de substituto temporário do Kolonie-Zeitung e redigido em português.